COVID-19 destaca o valor do autocuidado como primeira linha de defesa

São Paulo, 24 de julho de 2020 — O grande número de pacientes com coronavírus destacou o quanto equipes e instalações médicas estão sobrecarregadas em todo o mundo. No Dia Internacional do Autocuidado, Carol-Ann Stewart, Diretora de Assistência Médica ao Consumidor da Sanofi para a América Latina, mostra como a mudança de atitude das pessoas em relação à administração de seus próprios cuidados de saúde durante a pandemia, sem o apoio imediato de um professional, pode se mostrar um caminho positivo para sistemas nacionais de saúde no futuro.

Qual o impacto da COVID-19 nas atitudes das pessoas em relação ao autocuidado?

Há uma tendência global para promover o bem-estar há algum tempo, mas o início da pandemia do COVID-19 acelerou o cenário. O bem-estar preventivo está crescendo exponencialmente com pessoas que tentam proteger sua própria saúde e a de suas famílias. Portanto, houve uma mudança de atitude na maneira como as pessoas praticam o autocuidado, especialmente porque as consultas presenciais com médicos, neste momento, estão limitadas.

A mensagem de autocuidado antes da pandemia era geralmente positiva, muitas vezes comunicada por imagens de pessoas fazendo poses de ioga ao nascer do sol e bebendo smoothies de couve.

Hoje, a mensagem é diferente. O vírus trouxe consigo o medo, que é um poderoso motivador que pode acelerar a mudança para o bem-estar preventivo. Ele colocou uma perspectiva diferente sobre a real importância do autocuidado, porque as pessoas nos grupos de risco da COVID-19 são aquelas com comorbidades ou condições de saúde pré-existentes.

Quais mudanças de comportamento são visíveis?

Antes da COVID-19, o comércio eletrônico crescia constantemente para produtos vendidos sem receita, mas nos últimos meses aumentou dramaticamente, à medida que as pessoas procuram maneiras seguras e convenientes de comprar. Os farmacêuticos locais independentes também estão vendo um aumento no número de clientes, pois as pessoas estão comprando mais perto de casa, esses lares que, para muitos, também se tornou seu local de trabalho.

Com a pandemia, já vimos uma adoção global de novos hábitos para prevenir a doença – uso da máscara, lavagem constante das mãos, distanciamento social e quarentena – o que mostra que as pessoas podem assumir o controle e modificar seu comportamento para prevenir a doença, mas o fator motivador é mais a ameaça do que a promessa de boa saúde.

Esses novos comportamentos serão parte dos esforços para construir sistemas de saúde sustentáveis no futuro?

Desejamos que isso possa ser um resultado positivo da crise do coronavírus, que o autocuidado seja visto como parte de uma abordagem integrada de assistência médica de ponta a ponta para as sociedades em todo o mundo, uma meta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já está defendendo.

Se mais pacientes cuidassem ou mantivessem a própria saúde em dia, e tratassem pequenas doenças em casa, o tempo e o dinheiro economizados permitiriam que instituições e especialistas se concentrassem em condições mais graves; uma vantagem para consumidores, médicos e governos.

A COVID-19 destacou o ônus dos sistemas de saúde, mas este não é de modo algum um novo problema, uma vez que haverá uma escassez estimada de 18 milhões de trabalhadores da saúde até 2030. Se conseguirmos integrar o autocuidado ao pensamento de ponta a ponta como parte do tratamento, todos serão beneficiados. Esperamos que o COVID-19 possa conduzir a essa mudança.