Perguntas Frequentes

Preciso esperar ter vários surtos para iniciar o tratamento da esclerose múltipla?

Não, esse é um conceito muito antigo sobre a doença. Atualmente, no mundo inteiro, faz-se o diagnóstico o mais precocemente possível, seguindo critérios bem definidos, e não há necessidade sequer do segundo surto, desde que haja na ressonância magnética do sistema nervoso central imagens típicas ou novas, após exclusão de outros diagnósticos possíveis. Isso tudo é muito importante, pois não há qualquer dúvida de que o tratamento deva ser iniciado o mais precocemente possível.

Filhos de pacientes com esclerose múltipla têm mais chances de desenvolver a doença?

Sim, mas cuidado com esta informação! Embora haja maior risco estatístico de isso acontecer, é muito mais comum a esclerose múltipla ser uma doença esporádica e não haver casos na mesma família. Raramente há caráter hereditário na esclerose múltipla.

A esclerose múltipla pode causar perda de memória?

Sim, mas cuidado com esta informação também! As queixas de falta memória e de problemas em outras funções cognitivas (mentais) costumam acontecer em pacientes em fase avançada da doença, e que não foram adequadamente tratados. Atualmente, os tratamentos conseguem controlar a maioria dos pacientes e evitar essas alterações.

A esclerose múltipla é uma doença muito rara?

Não, estima-se uma incidência aproximada em nosso país de 15 a 20 pacientes a cada 100 mil pessoas. A doença acomete um pouco mais as mulheres do que os homens, e, diferentemente do que pensa a maioria da população, estamos falando principalmente de adultos jovens, dos 20 aos 40 anos.

Quem faz tratamento para esclerose múltipla pode tomar vacina?

Depende da vacina (algumas sim, outras não). Além disso, depende também de qual é o medicamento que a pessoa está usando para seu tratamento. De maneira geral, não se recomenda vacinação de pacientes com vacinas com vírus atenuados (os chamados vírus "vivos"), apenas com vírus inativados (chamados de vírus "mortos"). É importante conversar com seu médico caso você esteja fazendo tratamento para Esclerose Múltipla e precisar receber uma vacina.

Fadiga é um sintoma da esclerose múltipla e não tem tratamento?

Isso não é verdade. Até 90% dos pacientes com esclerose múltipla queixam-se de fadiga ─ trata-se de um sintoma extremamente comum, muito desagradável e incômodo e, por vezes, atrapalha a qualidade de vida do paciente. Entretanto, há diversas formas de tratar a fadiga (farmacológicas e não farmacológicas). O neurologista pode e deve ajudar nesse sentido.

Quem tem EM não pode engravidar?

A mulher com esclerose múltipla tem totais condições de engravidar. Durante a gravidez, inclusive, a mulher apresenta menos risco de ter surto da doença, devido às alterações da imunidade que ocorrem na gestação. No entanto, é importante que o planejamento da gestação seja realizado com acompanhamento médico.

A EM não tem cura, mas tem tratamento?

Ainda não existe a cura definitiva para a doença, mas podemos dizer que a medicina evoluiu bastante no que se refere ao tratamento da esclerose múltipla. As medicações atualmente disponíveis previnem os sintomas da doença, e podem controlar os surtos e a progressão da doença de forma que muitos pacientes corretamente tratados podem viver anos sem sequelas incapacitantes.

A EM é uma doença contagiosa?

A esclerose múltipla não é uma doença transmissível, portanto não há risco de contágio durante qualquer tipo de contato com uma pessoa que tenha a doença. Na verdade, não existe uma causa única para a esclerose múltipla. A causa da doença envolve diversos fatores, que incluem predisposição genética e algum fator do ambiente que altera a imunidade do paciente. É importante dizer que, apesar de a esclerose múltipla estar relacionada a fatores genéticos, na grande maioria dos casos ela não é uma doença transmissível de pais para filhos.

A EM é uma doença de pessoas mais velhas?

A esclerose múltipla é uma doença que afeta principalmente pacientes jovens, em geral de 20 a 40 anos, e acomete homens e mulheres, com leve predominância no sexo feminino. Porém, também existem casos mais raros que afetam crianças e pessoas acima de 50 anos. O termo “esclerose” é usado para diversas doenças na Neurologia, no entanto, pode haver uma confusão com o termo “esclerosado”, que é popularmente atribuído ao idoso com demência (geralmente associada a outras doenças, como o Alzheimer). Portanto, não tem relação com a esclerose múltipla, que é uma doença mais comum em jovens.

Quem tem EM não consegue ter uma vida ativa?

Os pacientes com esclerose múltipla em geral são jovens e, principalmente quando diagnosticados precocemente e tratados de forma adequada, têm baixo risco de sequelas e alta possibilidade de ter uma vida ativa e de se manter em seus empregos.

Quem tem EM terá que usar cadeira de rodas?

Os avanços das pesquisas científicas e o desenvolvimento de medicações que agem de forma específica contra a doença mudaram o futuro do paciente que é diagnosticado com essa condição. Quem tem o diagnóstico hoje de esclerose múltipla, se adequadamente tratado, tem risco significativamente menor de apresentar sequelas da doença. Os pacientes podem viver décadas com a doença, preservando suas funções físicas e mantendo inclusive a capacidade de andar.


Quer saber mais sobre a Esclerose Múltipla, venha participar do nosso movimento

CLIQUE E SAIBA MAIS

#MexasePelaEM


Conteúdo Especializado

Sou médico

Sou paciente

 

Referências:

1. Magyari M, Sorensen PS. The changing course of multiple sclerosis: rising incidence, change in geographic distribution, disease course, and prognosis. Curr Opin Neurol. 2019 Mar 28. [Epub ahead of print]
2. Mailand MT, Frederiksen JL. Vaccines and multiple sclerosis: a systematic review. J Neurol. 2017 Jun;264(6):1035-50.
3. Miller P, Soundy A. The pharmacological and non-pharmacological interventions for the management of fatiguerelated multiple sclerosis. J Neurol Sci. 2017 Oct 15;381:41-54.
4. Penner IK. Cognition in multiple sclerosis. Neurodegener Dis Manag. 2017 Nov;7(6s):19-21.
5. Thompson AJ, Banwell BL, Barkhof F, et al. Diagnosis of multiple sclerosis: 2017 revisions of the McDonald criteria. Lancet Neurol. 2018 Feb;17(2):162-73.
6. Filippi M, Bar-Or A, Piehl F, et al. Multiple sclerosis. Nat Rev Dis Primers. 2018 Nov 8;4(1):43.
7. Lublin FD, Reingold SC, Cohen JA, et al. Defining the clinical course of multiple sclerosis: the 2013 revisions. Neurology. 2014 Jul 15;83(3):278-86.
8. Krieger SC, Cook K, De Nino S, Fletcher M. The topographical model of multiple sclerosis: A dynamic visualization of disease course. Neurol Neuroimmunol Neuroinflamm. 2016 Sep 7;3(5):e279.
9. Orton SM, Herrera BM, Yee IM, et al.; Canadian Collaborative Study Group. Sex ratio of multiple sclerosis in Canada: a longitudinal study. Lancet Neurol. 2006 Nov;5(11):932-6.