
Desde os 14 anos, Beth sonhava em representar o Brasil em uma Olimpíada. Cresceu em Santos – SP, com o vôlei, assistindo às jogadoras na televisão e prometia a si mesma:
"Quando eu crescer, eu vou ser uma grande jogadora, vou trazer uma medalha pro Brasil, vou cantar o hino." O esporte sempre esteve na sua vida, não apenas como atividade, mas como propósito. Esta é a história de uma mulher que, diante da adversidade, encontrou um caminho novo para realizar seus sonhos.
Do vôlei às Paralimpíadas: Um sonho interrompido
Aos 27 anos, ainda jogando vôlei e sonhando com uma Olimpíada, surgiram os primeiros sintomas: visão dupla, formigamentos e paralisias inexplicáveis. O que parecia um contratempo revelou-se o início de uma longa jornada até o diagnóstico de esclerose múltipla, que chegou após quase uma década de incertezas e a deixou em cadeira de rodas.
"Após o diagnóstico da esclerose múltipla, eu pensei que minha vida tinha acabado, por ser atleta. E o esporte paralímpico entrou na minha vida para que eu pudesse dar continuidade nos sonhos que eu tinha antes."
Beth
O período de aceitação foi difícil. Beth viveu um luto profundo, sem saber que o esporte ainda teria um papel central em sua história só que por um caminho diferente do planejado.
O renascimento através do esporte adaptado
Em 1996, dois colegas cadeirantes a convidaram para jogar basquete sobre rodas. O convite ficou na cabeça e ela decidiu participar de um treino. Foi então que ouviu uma voz, um "anjo", como ela descreve, que disse: "Beth, fica, que aqui você vai realizar todos os seus sonhos." Em apenas dois meses de treino, já era titular da equipe. Ali, Beth renasceu. Pelo basquete, chegou aos Jogos Parapan-Americanos, a Mundiais e, em 2008, realizou o sonho de infância: estar numa Paralimpíada, representando o Brasil em Pequim.
A transição para o atletismo veio em 2010, e em Tóquio 2020 ela conquistou o ouro no lançamento de disco, quebrando o recorde mundial. Em Paris 2024, aos 61 anos, subiu ao pódio para receber novamente o ouro, agora como bicampeã paralímpica de atletismo.

Quebrando paradigmas sobre o acúmulo de incapacidade na EM
Havia dias em que Beth acordava sem movimento no braço, com fraqueza e parecia impossível treinar. Mas sua treinadora, junto a equipe de profissionais de saúde, estudou a fundo a doença para adaptar cada sessão aos sintomas e à realidade de Beth. "O meu treino é todo feito em cima da esclerose múltipla, dos sintomas, do que pode ocasionar." Beth aprendeu a respeitar seu corpo: quando a fadiga chegava, ela parava e descansava. "A esclerose múltipla foi minha amiga, ela deixou que eu vencesse. É um pouquinho dela nas minhas medalhas."
Sonhos, tratamento e uma mensagem de esperança
Beth também descobriu que, com o tratamento adequado e o acompanhamento médico certo, era possível ter qualidade de vida e performar como atleta de alto rendimento. Aos 61 anos, Beth não pensa em parar — está se preparando para as próximas Paralimpíadas, em Los Angeles, em 2028. E além do esporte, sonha com o Instituto Beth Gomes: um projeto para acolher jovens e idosos em situação de vulnerabilidade, mostrando que o esporte pode transformar vidas.
Para quem recebe um diagnóstico de esclerose múltipla e se vê diante do medo, Beth deixa uma mensagem: "Um diagnóstico não nos define. Nós que o definimos. Continue, vá, conquiste seus objetivos, caminhe, porque sonhos são para serem realizados." E encerra com a frase: "A esclerose múltipla é minha amiga, ela caminha do meu lado, mas ela nunca vai me vencer. Eu sempre vou estar vencendo-a, mas sempre a respeitando”.
A experiência de cada pessoa é única e as experiências individuais podem variar. Lembre-se, seu médico é a melhor fonte de informações relacionadas à saúde e certifique-se de fazer quaisquer perguntas que você possa ter. Os participantes desta campanha foram remunerados.
MAT-BR-2603890 Agosto/2026



