
A trajetória de Suzana com dermatite atópica, desde os desafios na infância até a construção de uma vida plena, revela como a resiliência, o suporte da família e os avanços da medicina podem transformar a nossa maior dor em propósito.
Suzana se descreve com uma frase poderosa: "Eu tenho medos bobos e coragens absurdas." Ainda criança, ela acreditava que, por viver com limitações impostas pela dermatite atópica, não tinha o direito de sonhar. Para ela, sonhar significava se afastar da sua realidade. Hoje, tornou-se referência na defesa dos direitos dos pacientes que convivem com condições atópicas e inspira outras pessoas com doenças crônicas a se aceitarem e buscarem tratamento adequado.
Uma infância diferente, mas cheia de amor
Diagnosticada com dermatite atópica aos 6 meses de vida, Suzana cresceu sabendo que sua vida era diferente. Não podia correr na rua, fazer educação física e as noites eram marcadas por crises intensas de coceira. Como ela recorda: "Quando eu via que estava escurecendo, eu tinha que respirar fundo, porque sabia que à noite a coceira se intensificava."
Mesmo diante de limitações, sua família fez de tudo para preservar sua infância. Seus pais se revezavam durante as madrugadas para ficar ao lado de Suzana enquanto ela se coçava sem parar. Eles a ajudaram não apenas a conviver com a doença, mas a se aceitar, sempre reforçando que ela não precisava esconder as feridas da pele. “Você pode se sentir confortável no seu corpo do jeito que ele for", diziam. Essa rede de apoio foi essencial para que Suzana construísse sua autoestima e encontrasse força para enfrentar seus desafios.
Encontrando força e aceitação
A adolescência trouxe fases de negação, vergonha e o desejo de se esconder. Mesmo em dias quentes, Suzana usava calça comprida e manga longa para evitar os olhares alheios diante das manchas na pele. Olhares que, muitas vezes, machucavam mais do que as próprias feridas. "Às vezes a pessoa enxerga primeiro a minha pele, depois a Suzana," reflete.
Aos 19 anos, algo começou a mudar. A raiva e o questionamento foram dando lugar à aceitação e ao amor-próprio. Suzana aprendeu a enxergar beleza nas suas marcas e entendeu que também tinha o direito de sonhar.

Hoje: sonhos, propósito e novas possibilidades
Há cerca de 7 anos, começou a compartilhar sua história nas redes sociais, como um diário. Com o tempo, sua escrita honesta começou a tocar milhares de pessoas, que compartilhavam da sua vivência, e passaram a se aceitar mais, a buscar tratamento e a enxergar a dermatite atópica de forma diferente.
Hoje, com os avanços da ciência, Suzana vive uma realidade que antes parecia impossível. Formada em Pedagogia, está em sua segunda graduação, cursando Saúde Coletiva, pratica atividade física diariamente e continua criando conteúdo sobre dermatite atópica, além de compartilhar sua experiência com outras condições, como asma, rinossinusite crônica com polipose nasal e esofagite eosinofílica.
“Agora eu dou um valor muito diferente para acordar. Acordar e não estar com o meu corpo doendo, a pele coçando, ter uma vida mais leve e ter saúde para enfrentar o dia. Quando temos uma limitação por tantos anos, um dia simples, ele nunca é tão simples, ele sempre vai ser extraordinário.”
Suzana
A ciência da esperança
Suzana tem muitos sonhos. A qualidade de vida conquistada e os avanços da medicina tornaram um desejo real: ser mãe.
“Por estar vivendo essa fase de qualidade de vida, de entender que é possível, que as crianças de hoje não vão mais passar pelo que eu passei, virou uma chave e fez com que eu desejasse ser mãe.”
Além disso, escolheu cursar a faculdade de Saúde Coletiva para se aprofundar no tema e gerar insumos para se tornar uma referência nacional para pacientes com doenças crônicas, sendo voz na luta por acesso a tratamentos.
“Meu outro sonho é ser voz para que a gente continue nessa luta por acesso a tratamentos.”
Suzana deixa um lembrete poderoso de que os desafios da vida não precisam ser obstáculos permanentes. Eles podem ser transformados em propósito e esperança para milhares de outras pessoas que trilham caminhos como os dela.
Cada experiência é única e pode variar de uma pessoa a outra. Lembre-se de que seu profissional de saúde é a melhor fonte de informação. As pessoas que aparecem nestas histórias foram compensadas.
MAT-BR-2604086 Setembro/2026



